25 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
O que é Umbanda: origem, fundamentos e como ela é vivida
O que é Umbanda, como nasceu em 1908, em que acredita e como é vivida no terreiro. Um guia da Mãe Lu para entender a religião com calma e sem preconceito.
Mãe Lu (Lucila Celete)
Templo Espiritualista Filhos do Tempo · Cotia/SP · Dirigente: Mãe Lu (Lucila Celete)
Muita gente chega ao templo com uma pergunta simples, que quase nunca tem resposta simples: afinal, o que é Umbanda? Uns trazem imagens de filme de terror. Outros trazem a lembrança de uma avó benzedeira. Outros chegam só com curiosidade.
Costumo explicar aos filhos da casa que a Umbanda é uma religião brasileira, que crê em um só Deus, cultua os orixás como forças divinas e pratica a caridade por meio da mediunidade. É muita coisa numa frase só. Por isso, neste texto, vou abrir cada parte com calma.
Aqui no Templo Espiritualista Filhos do Tempo, a Casa de Maria Madalena, seguimos a Umbanda Sagrada. Vou falar a partir dela, lembrando sempre que outras casas trabalham de outro jeito, e está tudo bem.
Uma religião nascida no Brasil
A Umbanda nasceu do encontro das matrizes que formaram o povo brasileiro: a indígena, a africana e a europeia cristã. Com o tempo, recebeu também a influência do espiritismo e de tradições do Oriente. Não é uma colagem sem sentido. É uma síntese que ganhou fundamento próprio.
O marco que a maior parte das casas adota é 15 de novembro de 1908. Naquele dia, em Niterói (RJ), o jovem Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, manifestou numa sessão espírita um espírito que se apresentou como Caboclo das Sete Encruzilhadas. Ele anunciou uma nova corrente, aberta a espíritos de indígenas e de africanos escravizados, que naquela época não eram acolhidos nas mesas espíritas.
No dia seguinte, na casa da família, em São Gonçalo, começaram os trabalhos da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Historiadores lembram que práticas parecidas já existiam antes, espalhadas por vários cantos do país. Mesmo assim, 1908 virou a data de nascimento simbólica, e o 15 de novembro é celebrado como Dia da Umbanda. Se quiser se aprofundar, veja a história da Umbanda.
Em que a Umbanda acredita
Os fundamentos variam um pouco de casa para casa, mas há um chão comum. Na Umbanda Sagrada, que é a linha que seguimos, ele fica assim:
- Um só Deus. Chamamos de Olorum, o Criador de tudo. Falo mais disso em Umbanda é monoteísta?.
- Os orixás. São manifestações de Deus na criação, cada um ligado a um sentido da vida. Estudamos catorze orixás organizados em sete tronos, como o Trono da Fé, de Oxalá e Logunan.
- Os guias espirituais. Espíritos que já viveram na Terra e voltam para trabalhar na caridade, organizados em linhas: caboclos, pretos-velhos, erês, baianos, boiadeiros e outros.
- A esquerda. Exu, Pombagira e Exu Mirim são guardiões da Lei divina, e não figuras do mal. Explico isso em Exu não é o diabo.
- Evolução. Acreditamos na reencarnação e na lei de causa e efeito: o que plantamos, colhemos, nesta vida ou em outra.
Quando falo em terreiro, falo do espaço sagrado onde a gira acontece. Gira é o nome do ritual em si, a reunião em que os médiuns cantam, os guias se manifestam e a assistência é atendida.
Mediunidade: o canal da caridade
A mediunidade de incorporação é um dos pilares da Umbanda. O médium empresta seu corpo e sua voz para que um guia espiritual possa conversar, aconselhar e dar passe em quem busca ajuda. Quem é atendido chamamos de consulente.
O passe é a limpeza e o reequilíbrio energético feitos pelo guia, geralmente com as mãos, às vezes com ervas ou fumaça. A consulta é a conversa com a entidade. Nenhum dos dois é cobrado: atendimento na gira não se cobra, porque a caridade é o fundamento da religião.
Nem todo mundo que frequenta a Umbanda é médium de incorporação. E ninguém é obrigado a desenvolver. Escrevi sobre isso em Mediunidade: sinais e desenvolvimento.
Uma Umbanda, muitas casas
A Umbanda não tem um órgão central que dite regras para todos os terreiros. Cada casa segue a orientação do seu guia-chefe e do seu dirigente. Por isso você vai encontrar casas com atabaque e casas só com palmas, casas que trabalham com esquerda e casas que não trabalham.
Essas diferenças formaram as chamadas vertentes da Umbanda. A Umbanda Sagrada ganhou esse nome a partir dos estudos e livros de Rubens Saraceni e do Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda. Ela organiza a teologia em sete tronos, catorze orixás e linhas de trabalho.
Costumo dizer que nenhuma vertente dá conta sozinha de tudo o que a Umbanda é. Cada casa enxerga uma parte do todo. E a Umbanda também não ensina que só ela leva a Deus. Vemos as outras religiões como caminhos legítimos.
O que a Umbanda não é
Vale desfazer alguns enganos com clareza e sem briga:
- Não é culto ao mal. Nada na Umbanda é feito para prejudicar alguém.
- Não é balcão de pedidos. A casa não faz trabalho para interferir na vontade de outra pessoa. Todo pedido passa pela Lei e pela Justiça de Deus.
- Não é Candomblé. São religiões irmãs, com raízes em comum, mas caminhos diferentes. Explico em Umbanda e Candomblé: diferenças.
- Não é mistura sem fundamento. Há teologia, estudo e ritual. Aqui no templo, estudar faz parte da vida dos filhos.
Nossas oferendas são feitas com flores, frutas, velas, ervas e alimentos. Elas são uma forma de reverência e de conexão com o sagrado, não uma troca.
Umbanda no dia a dia
A Umbanda não termina quando a gira fecha. Ela continua em casa, no trabalho, no trânsito. O esforço diário para ser uma pessoa melhor tem nome entre nós: reforma íntima.
Os médiuns também cumprem preceito antes das giras, tomam banhos de ervas e mantêm suas firmezas. Mas o centro de tudo é simples: amor, caridade e respeito.
Venha conhecer
Ler ajuda, mas a Umbanda se entende mesmo vivendo. Se você está em Cotia ou na região, venha conhecer uma gira aberta no templo. As giras começam às 15h, e a agenda fica em Giras.
Antes de vir, dê uma olhada em Primeira vez na Umbanda e conheça o templo. Se quiser estudar com mais profundidade, o e-book Teologia para Umbandistas reúne história, vertentes, tronos, mediunidade e os catorze orixás.
Perguntas frequentes
Preciso ser umbandista para ir a uma gira?
Não. A gira aberta recebe qualquer pessoa, de qualquer religião ou de nenhuma. Ninguém vai pedir que você mude de fé. Basta chegar com respeito.
A Umbanda é uma religião cristã?
Ela tem forte influência cristã, como os ensinamentos de Jesus e o sincretismo com santos católicos, mas também tem raízes africanas e indígenas. Muitos umbandistas se sentem cristãos; outros, não. Cada casa lida com isso do seu jeito.
Quem frequenta a Umbanda precisa incorporar?
Não. A maior parte das pessoas vem para a assistência, toma passe, conversa com os guias e segue sua vida. O desenvolvimento mediúnico é um caminho para quem sente esse chamado e conversa com a dirigente.
É preciso pagar para ser atendido na gira?
Não. Passe e consulta com as entidades na gira não se cobram. A caridade é o centro da Umbanda.
Para aprofundar
Aprofunde o estudo com estes materiais
E-book digital (PDF)
E-book Teologia para Umbandistas
História, fundamentos, rituais e os 14 orixás, para quem quer entender a Umbanda que vive.
Curso de estudos teológicos de Umbanda — formato e datas pelo WhatsApp
Curso de Teologia de Umbanda
Estudos teológicos de Umbanda a partir da apostila do Templo Filhos do Tempo.
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Ler ajuda. Vir a uma gira ajuda mais.
Se algum texto despertou vontade de conhecer a Umbanda de perto, pergunte pelo WhatsApp o dia da próxima gira aberta.
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