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29 de agosto de 2026 · 5 min de leitura

Como é uma gira de Umbanda: do começo ao fim, passo a passo

Como é uma gira de Umbanda: defumação, abertura, pontos cantados, passes e consultas. Veja o roteiro de uma gira aberta no templo em Cotia e o que esperar.

Mãe Lu (Lucila Celete)

Templo Espiritualista Filhos do Tempo · Cotia/SP · Dirigente: Mãe Lu (Lucila Celete)

Quem nunca foi a um terreiro costuma imaginar a gira de dois jeitos: como uma festa barulhenta ou como algo misterioso e assustador. Nem uma coisa nem outra. A gira é um ritual religioso, com começo, meio e fim, e cada momento tem um motivo.

A palavra gira vem de girar, de roda. É o nome que damos à reunião em que a corrente de médiuns canta, os guias espirituais se manifestam e a assistência é atendida. Você encontra mais detalhes na página sobre a gira.

Neste texto vou contar como é uma gira aberta aqui no templo, na Umbanda Sagrada. Cada casa tem seus ritos e fundamentos próprios, mas saber o roteiro ajuda muito quem vem pela primeira vez a relaxar e aproveitar.

Antes de começar: a preparação que ninguém vê

A gira começa muito antes do primeiro ponto cantado. Nos três dias anteriores, os médiuns cumprem o preceito: nada de bebida alcoólica, carne ou relação sexual. Também tomam banhos em sequência: sal grosso no primeiro dia, uma erva de limpeza no segundo e uma erva que agrega energia no terceiro.

No dia, o espaço é limpo e os médiuns chegam com antecedência. Nossas giras começam às 15h, e a corrente chega às 14h30 para se organizar. Cada médium acende suas firmezas: a vela do anjo da guarda, as velas da esquerda e a vela do orixá da gira. Firmeza é esse ponto de conexão feito com vela e elementos, explicado em firmeza.

Nas giras de direita e de desenvolvimento, os médiuns vestem branco. Nas giras de esquerda, preto.

Defumação e bater cabeça

O primeiro rito é a defumação. Com ervas e resinas queimando no turíbulo, defumamos o altar, os cantos do espaço, as firmezas, os atabaques, a corrente e também a assistência. A fumaça ajuda a diluir o peso que cada um traz da rua.

Depois vem o bater cabeça. Os médiuns se ajoelham diante do congá, que é o altar do terreiro, e encostam a testa na esteira em sinal de respeito aos orixás, às entidades e à hierarquia da casa. É um momento de silêncio, pedido de proteção e agradecimento.

A abertura: licença a Olorum e saudações

A dirigente abre os trabalhos pedindo licença a Olorum, que é Deus, para que tudo aconteça dentro da Lei e da Justiça divina e que cada pessoa receba conforme seu merecimento.

Em seguida vêm as saudações: a Oxalá, às sete linhas de Umbanda e à esquerda. Na saudação à esquerda, a corrente se volta para a porteira e saúda Exu, Pombagira e os Mirins, que guardam a entrada da casa. Você vai ouvir "Laroyê" e três palmas, que chamamos de paô.

Tudo isso é conduzido pela curimba, o grupo que canta e toca. Quem toca o atabaque é o ogã. O ponto cantado é oração em forma de música: ele chama, sustenta e despede as energias.

Os orixás que sustentam a gira

Cada gira é sustentada por um casal de orixás, dentro dos sete tronos que estudamos. Primeiro saudamos o orixá que absorve, para limpar e retirar o que não serve mais. Depois, o orixá que irradia, para receber suas qualidades.

Nesse momento a corrente se ajoelha em respeito, e os médiuns recebem a irradiação daquela força. Se quiser entender os pares de orixás, leia As sete linhas de Umbanda.

A linha de trabalho, os passes e as consultas

Depois dos orixás, chega a linha de trabalho do dia: caboclos, pretos-velhos, erês, baianos, boiadeiros, ciganos, entre outras. Primeiro incorpora o guia-chefe da gira. Depois, os demais médiuns.

As entidades limpam seus médiuns e os cambones, que são os auxiliares que servem os guias com o que eles pedem e ajudam a assistência. Então começa o passe: aqui no templo, toda a assistência passa de uma vez, cada pessoa com um médium, para limpeza e alinhamento.

Depois dos passes vêm as consultas, com os médiuns que o guia-chefe indicar. É a hora de conversar com a entidade, ouvir o conselho e fazer seu pedido com sinceridade. Durante esse tempo, a assistência também pode receber as oferendas de alimento da gira. Costumo lembrar que essa comida não é para matar a fome: é remédio para o corpo e para o espírito.

O encerramento

Quando os atendimentos terminam, as entidades se despedem e sobem, que é como chamamos o momento em que deixam os médiuns. A dirigente agradece aos orixás, aos guias, aos ogãs, aos filhos e a quem veio buscar ajuda. Um ponto de fechamento encerra a gira.

A gira termina, mas o que você ouviu continua com você. Muita gente sai mais leve e percebe, nos dias seguintes, que algo se ajeitou por dentro. Outras pessoas precisam voltar algumas vezes. Cada caminho tem seu tempo.

Como se comportar na assistência

A assistência é o espaço de quem vem ser atendido. Algumas orientações simples fazem toda a diferença:

  • Chegue alguns minutos antes das 15h.
  • Desligue ou silencie o celular.
  • Não fotografe nem filme a gira sem autorização da casa. Os médiuns incorporados não devem ser expostos.
  • Não toque em médium incorporado sem que a entidade permita.
  • Não atravesse a frente do congá durante os trabalhos.
  • Ficou em dúvida? Pergunte a um cambone. Estamos ali para ajudar.

Se é sua primeira vez, leia também Primeira vez no terreiro: o que levar e vestir e a página Primeira vez na Umbanda.

Venha conhecer uma gira aberta aqui no templo, em Cotia. As datas estão em Giras, e você pode falar com a casa pelo WhatsApp para tirar dúvidas antes de vir.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura uma gira?

Não dá para cravar. Depende da linha de trabalho e de quantas pessoas vieram. A gira começa às 15h e segue até o último atendimento, então venha sem pressa.

Sou obrigado a tomar passe ou consultar?

Não. Você pode apenas assistir. O passe e a consulta são oferecidos a quem quiser, e ninguém é forçado a nada.

O que é uma gira de esquerda?

É a gira em que trabalham Exus, Pombagiras e Exus Mirins, os guardiões da casa. Os médiuns vestem preto. Explico mais em gira de esquerda e em Exu não é o diabo.

Posso ir à gira se não sou umbandista?

Pode, e é muito bem-vindo. A gira aberta é para qualquer pessoa, de qualquer religião. Basta respeito.

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