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2 de julho de 2026 · 6 min de leitura

Gira aberta: o que esperar na sua primeira vez

Gira aberta de Umbanda: o que acontece do começo ao fim, quanto tempo dura, o que você pode fazer e o que esperar na primeira vez na assistência.

Mãe Lu (Lucila Celete)

Templo Espiritualista Filhos do Tempo · Cotia/SP · Dirigente: Mãe Lu (Lucila Celete)

Tem uma diferença grande entre saber o que é uma gira e saber como é estar dentro de uma. A primeira coisa se aprende lendo. A segunda, só sentando na assistência.

Gira é o nome da reunião religiosa da Umbanda, e assistência é o espaço de quem vem ser atendido, separado da área onde os médiuns trabalham. Se você quer o roteiro ritual, com cada etapa explicada, escrevi tudo em Como é uma gira de Umbanda e na página sobre a gira.

Aqui eu quero contar outra coisa: como é a experiência de quem assiste. O que você vê, o que você ouve, quanto tempo fica sentado, o que o corpo às vezes faz sem avisar e o que acontece quando a tarde acaba.

A chegada e os primeiros minutos

Você chega, alguém da casa te recebe e te mostra onde sentar. Diga que é sua primeira vez. Isso não é vergonha nenhuma e muda todo o resto da tarde: a partir daí, alguém vai ficar de olho em você.

Os primeiros minutos são de movimento. Médiuns acendendo velas, gente se cumprimentando, atabaques sendo afinados, cadeiras sendo ajeitadas. Parece bagunça e não é: é uma casa se organizando para trabalhar.

Depois vem um silêncio, e o silêncio é o aviso de que vai começar. É comum sentir um aperto nesse instante. Passa.

Quanto tempo dura

Essa é a pergunta que mais recebo por mensagem, e a resposta honesta é: depende. Aqui no templo, em Cotia, as giras abertas começam às 15h e seguem até o último atendimento. Costumam levar algumas horas.

O que faz a tarde ser mais longa ou mais curta é a quantidade de pessoas que vieram e a linha de trabalho do dia. Por isso eu peço uma coisa só: venha sem compromisso marcado logo depois.

Se precisar sair antes do fim, tudo bem. Levante com calma, sem atravessar a área de trabalho, e avise alguém da casa ao passar. Ninguém vai olhar torto.

O que você vai ver e ouvir

O primeiro rito costuma ser a defumação: ervas e resinas queimando, e a fumaça passando pelo altar, pelos cantos do espaço, pelos médiuns e por você. O cheiro é forte e o objetivo é simples, diluir o peso que cada um trouxe da rua. Se você tem sensibilidade a fumaça, avise antes.

Depois entra a curimba, que é o conjunto de quem canta e toca os atabaques. Os pontos cantados são orações em forma de música: eles chamam, sustentam e despedem as energias do trabalho. Não são música de palco, e por isso ninguém aplaude no fim.

Você vai ver também as saudações, o momento em que a corrente se ajoelha, o bater cabeça diante do congá, que é o altar do terreiro. E vai ver a chegada dos guias, que muda o corpo, a voz e o jeito de andar dos médiuns. É a parte que mais impressiona quem nunca viu.

Repare sem medo. Olhar é permitido. O que não se faz é filmar ou fotografar.

Os passes e as consultas

Passado o momento de abertura, começa o atendimento. Aqui no templo, toda a assistência recebe passe, cada pessoa com um médium, para limpeza e alinhamento. Você fica de pé, respira e deixa a entidade trabalhar. Dura pouco, normalmente menos de um minuto.

Depois vêm as consultas. Você senta ou fica de pé diante do guia, fala o que precisa e escuta. Fale com sinceridade, sem enfeitar a história. A entidade não está ali para julgar sua vida.

Duas coisas que vale saber desde já: o passe não é cobrado e a consulta com o guia não se cobra. E você não é obrigado a participar de nenhum dos dois. Pode assistir a tarde inteira e ir embora sem falar com ninguém.

O que você pode fazer e o que é melhor evitar

A lista é curta e cabe na cabeça:

  • Cante junto e bata palmas, se tiver vontade. Ninguém vai estranhar.
  • Fique quieto durante os pontos cantados. Conversa atrapalha quem está trabalhando.
  • Celular no silencioso e guardado. Nada de filmar médium incorporado.
  • Não atravesse a área de trabalho nem passe na frente do congá.
  • Não toque em médium incorporado sem que a entidade permita.
  • Ficou em dúvida sobre qualquer coisa? Pergunte a um cambone, o auxiliar que serve os guias e ajuda a assistência.

Nada disso exige treino. É o mesmo respeito que você teria em qualquer templo de qualquer religião.

O que o corpo costuma sentir

Muita gente sai da primeira gira surpresa com o próprio corpo. Arrepio no meio de um ponto cantado. Calor nas mãos. Sono pesado. Vontade de chorar sem motivo aparente. Uma leveza estranha na volta para casa.

Isso é comum e não quer dizer, por si só, que você tenha mediunidade, que esteja com algum problema espiritual ou que algo grave esteja acontecendo. Um ambiente com canto, tambor, defumação e muita gente concentrada mexe com qualquer um. Não tire conclusões sozinho e não deixe ninguém tirar por você.

Se sentir tontura, falta de ar ou mal-estar, avise um cambone na hora. Ele sabe o que fazer, vai te acompanhar até um lugar arejado e ficar com você. Cuidar de quem está na assistência faz parte do trabalho da casa. Não fique segurando por vergonha.

E fica registrado: a Umbanda caminha junto com o acompanhamento médico e psicológico, nunca no lugar dele. Se você faz tratamento, continue fazendo.

A saída e o resto do dia

No fim, os guias se despedem, a dirigente agradece e um ponto de fechamento encerra a gira. Aí o ambiente relaxa: as pessoas conversam, algumas ficam, outras vão saindo devagar.

Beba água. Coma algo leve. Se puder, evite ir direto para um lugar barulhento ou para uma discussão. Muita gente dorme bem naquela noite e percebe, nos dias seguintes, que alguma coisa se ajeitou por dentro sem alarde.

Se quiser conhecer uma gira aberta aqui no templo, as datas estão em Giras, e reuni o essencial para visitantes em Gira de Umbanda em Cotia. Para saber mais sobre a casa antes de vir, veja Terreiro de Umbanda em Cotia. Venha sem pressa e sem expectativa: é assim que a primeira vez rende mais.

Perguntas frequentes

Preciso chegar no horário exato do começo?

Chegue alguns minutos antes, para sentar sem correria e receber a defumação desde o início. Chegar depois não impede a entrada, mas atrapalha um pouco a sua própria concentração.

Posso ir sozinho na primeira vez?

Pode, e muita gente vai. Avise que é sua primeira vez ao chegar e alguém da casa vai te orientar durante a tarde inteira.

E se eu chorar na frente de todo mundo?

Acontece todo dia, em toda gira. Ninguém vai olhar para você nem comentar. Tem lenço por perto e tem gente pronta para ficar ao seu lado, se você quiser.

Posso levar meu pedido escrito num papel?

Pode. Muita gente anota antes para não esquecer na hora da consulta. Use o papel só como lembrete e fale com suas palavras.

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